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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Lebon Régis, das tropeadas às cavalgadas


Ano de 1815, cravado em pedra, em Lebon Régis
Das histórias contidas na memória de um povo, desde o seu desenvolvimento cultural até os avanços mais tecnológicos dos dias de hoje existe um fator chamado rodovia. A rodovia tem a magia de produzir o progresso, facilitar a vida das pessoas, transportar sonhos e armazenar saudades ao longo do caminho. Lebon Régis tem apresilhado em sua existência, uma das estradas mais antigas da região, segundo uma pedra que testemunha a idade de 1815 que ainda encontra-se silenciosa no mesmo lugar.

A estrada de tropas que partia da vila de Canoinhas, com destino a vila de Curitibanos, passava por diversos povoados, e já em território Lebonregense: Caçador Grande, Rio do Meio, Serra da Esperança e, passava na Imbuia Iviarcada, uma árvore que apresentava estranhas marcas de indígenas ou Jesuítas, depois pela Serra dos Guerrilhas, Comum e Trombudo como era conhecido a nossa cidade que no início continha dois ou três moradores, e aqui ramificava-se para a vila de Videira, e Caçador.
Na época esse povo era vítima de muitos problemas ao longo do caminho, o mais comum e também o mais perigoso eram os ataques indígenas, outro perigo de risco era após a venda das mercadorias, de volta no caminho para casa, os assaltos.
O progresso viajou e chegou até aqui, a lombo de burro nas bruacas em lonas, um pedaço de couro que eles chamavam de ligar, e usava-se um animal mais velho para seguir a frente, e no tinir do cincerro agia como líder, e um menino - montado que levava o nome de madrinheiro. O boi era levado então até o abate andando e era chamado de tropeada. Os porcos eram engordados em lote ou incerra como era chamado, e transportado a pé para produção de banha em um açougue em videira de propriedade dos Brandalise, que em nossos dias é a empresa Perdigão. Pernoitavam em barracas e se alimentavam de paçoca de carne socada em pilão, e o café era colocado água fervendo no pó, e depois um tição com brasa dentro da chocolateira para assentar, e tinha nome de café tropeiro, isso tudo eles carregavam amarrado nos tentos.
Recentemente um grupo de pessoas aqui de Lebon Régis, alguns descendentes dos antigos tropeiros e outros, vieram e se juntaram para carregar uma mala de garupa rica em tradicionalismo, e uniram o esporte com lembranças e história conservando viva a memória de um passado que foi fundamental no desenvolvimento do município e região.
E a nós resta tirar o chapéu pela excelente idéia, uma iniciativa que reviveu o álbum do tempo para não deixar esse pedaço da nossa história apagar.
Que as asas da imaginação andem na carona da garupa dos seus cavalos e possa trazer de volta toda a experiência que na certa deu certo, vivido no passado, e que pareça não envelhecer, e assim conservar a tradição e os costumes de um povo que construiu, dentro das possibilidades e realidade da época, que ainda não distante, o desenvolvimento de um futuro promissor.

Por: José Dileno Dias

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